As Escolas de Medicina

Medicina Arcana (Teoria): Capítulo 2


As Cinco Escolas da Medicina segundo o Doutor Paracelso:

As enfermidades têm universalmente cinco tipos de tratamentos (curatio) diferentes e fundamentais. Cada um desses cinco tratamentos (curationes quinque) é capaz, por si mesmo, de formar um meio terapêutico completo para a cura de todas as enfermidades (facultas medicinae) nas mãos de um médico hábil, competente e esperto, que deverá escolher a melhor para cada caso. Dessa maneira será possível curar qualquer acidente, sofrimento ou doença, tanto numa como em outra medicina.

Assim sendo, será bom que cada médico se esforce num estudo cotidiano e constante para alcançar a máxima ciência e experiência em qualquer um dos cinco métodos, sem esquecer que tem tanta ou maior importância o conhecimento da alma do paciente do que do seu corpo.

Passemos ao estudo das cinco "escolas", "origens", ou "modos de curar" conforme estabelecido pelo grande Doutor Paracelso:

Paracelso
Paracelsus, Philippus Aureolus (1493-1541)

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I. Medicina Natural:

A medicina natural concebe e trata as enfermidades como ensina a vida, a natureza das plantas, e conforme o que convém a cada caso por seus símbolos ou concordâncias. Assim, curará o frio pelo calor, a umidade pela secação, a superabundância pelo jejum e o repouso, e a inanição pelo aumento das comidas. A natureza dessas afecções ensina que as mesmas devem ser tratadas pela aplicação de ações contrárias, Avicena, Galeno e Rosis foram alguns dos defensores e comentaristas desta teoria.

Os naturalistas se identificam com os velhos médicos rurais que não dispõe de livros ou instrumentos, porém aplicam com confiança a sua medicina através de remédios elementares e caseiros.

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II. Medicina Específica:

Os que defendem e pertencem a este grupo tratam as doenças pela forma específica ou entidade específica (Ens specificum). O ímã, por exemplo, atrai o ferro não por meio de qualidades elementares, mas através de forças e afinidades específicas. Os médicos deste grupo curam as enfermidades pela força específica dos medicamentos correspondentes. Também pertencem a este grupo aqueles que fazem experiências, chamados por alguns de empíricos com justa razão. Finalmente, também entre os naturalistas, aqueles que fazem uso e receitam purgantes, já que estes impõem forças estranhas que derivam do específico, completamente fora do natural, saindo de um grupo para entrar em outro.

Os especifistas são os farmocoterapeutas alopatas dos nossos dias.

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III. Medicina Caracteriológica, ou Cabalística:

Aqueles que a exercem curam as doenças, pelo influxo de certos signos dotados de um estranho poder, capazes de fazer correr aqueles que se manda, e dar-lhes ou tirar-lhes determinados influxos ou malefícios. Isto também pode ser feito através da palavra, sendo em conjunto um método eminentemente subjetivo. Os mestres autores mais destacados desse grupo foram: Alberto, o Grande, os astrólogos, os filósofos e todos aqueles dotados do poder de feitiçaria.

Qualifica-se nesta escola a iatroastrologia e a medicina talismânica, juntamente a psicanalsitas e junguianos.

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IV. Medicina dos Espíritos:

Primeiramente, cabe expor que não se trata de "espírito" não na acepção literária ou filosófica moderna, mas como essência de toda a vida ou impulso animado ou inanimado (spirito). Por isso não podemos chamar os médicos desta escola espiritual de espiritistas, nem de médicos do espírito, mas "pelo" espírito. É sobre o "espírito" que pode ser extraído de substâncias orgânicas por meio de processos espagíricos como a destilação.

Seus médicos cuidam e curam as enfermidades mediante filtros e infusões que coagulam o espírito de determinadas ervas e raízes, cuja própria substância foi anteriormente responsável pela doença (similia similibus curantur). Acontece a mesma coisa quando um juiz, tendo condenado um réu, se transforma posteriormente na sua única salvação, já que só através de seu poder e de suas palavras poderá obter novamente a liberdade. Os enfermos que padecem dessas doenças podem se curar graças ao espírito dessas ervas, conforme está escrito nos livros desta seita e da qual fizeram parte grande quantidade de médicos famosos como Hipócrates e todos de sua escola

Os espiritualistas são os antepassados diretos dos especialistas em química biológica, dietólogos, vitaministas e, de certo modo, também os homeopatas e os alergistas.

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V. Medicina da Fé:

Aqui a fé é usada como arma de luta e de vitória contra as doenças. Fé do doente em si mesmo, no médico, na disposição favorável dos deuses e na piedade de Jesus Cristo. Acreditar na verdade é causa suficiente para muitas curas. Neste assunto temos a vida de Cristo e de seus discípulos como melhor exemplo.

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Não se olvida, ainda, que o bom médico saiba transitar com maestria entre os diferentes caminhos terapêuticos. Assim operou Santa Hildegarda, harmonizando o naturalismo e a cristaloterapia, entrelaçando-os com a força ativa da fé — não como métodos separados, mas como partes de uma única e profunda ciência da vida e do espírito.

Fonte Principal: Paracelsus, Opera Omnia (1589) - publicada no Brasil pela Editora Três sob o título de "A Chave da Alquimia", coleção Biblioteca Planeta)

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